| Revolta da Maria da Fonte dificulta identificação de terrenos em Aboim |
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| 08-Mar-2015 | |
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A Revolução da Maria da Fonte, iniciada no Minho em 1846, que teve a sua maior guerrilha em Aboim da Nóbrega, resultou num problema que se arrastou até aos dias de hoje. A mensagem que recebemos de um nosso leitor é uma evidência eloquente: “Sou aboinobrense e, como centenas de milhares de portugueses, emigrei com meus pais para o estrangeiro. A causa foi, como continua a ser, as consequências da crise econômica de Portugal. Meus pais deixaram tudo para trás. Sessenta anos depois, já reformado em 2010, meus pais já falecidos no Brasil, visitei Aboim e quis saber onde se localizavam as terras de minha mãe. Consultando a Repartição de Finanças, informaram-me, apenas, os números dos artigos, com as áreas de cada um deles e os respetivos confrontantes. Mas como chegar até às terras? Nem as Finanças nem a Câmara de Vila Verde sabiam. Aconselharam-me a consultar as pessoas antigas dos lugares e os parentes, se ainda houvesse algum daquele tempo. Um ancião informou-me que, pela numeração dos artigos, as terras ficavam em Bacelo, Zebreiro e na Bemposta. Exceto as de Bacelo, não consegui saber onde ficavam as outras. Quando eu perguntava às pessoas, parecia que eu estava mexendo em um assunto tabu. A partir daí eu me perguntava: qual seria a causa do norte de Portugal não dispor de um cadastro rural? No restante do país, no centro e no sul, todos os municípios disponibilizam na Internet as plantas cadastrais na escala 1:10.000 onde as propriedades têm seus limites georreferenciados. Suponho ter encontrado a resposta da questão acima formulada no livro: História Concisa de Portugal, do autor inglês David Birminghan, tradução de Daniel M. Miranda, editado em São Paulo-Brasil: EDIPRO, 2015 - (Série história das nações) [www.edipro.com.br]. A partir da página 140, o autor relata a revolta camponesa de 1846 liderada, em parte, por mulheres do Minho que temiam a perda de seus direitos fundiários. A revolta levou o nome de Maria da Fonte. Os camponeses, analfabetos em sua maioria, insurgiram-se contra a iniciativa do governo de realizar o cadastro rural com o propósito de delimitar as terras e seu posterior registro na Conservatória. O cadastro era apoiado por uma minoria letrada na qual a população analfabeta não confiava. Devido à revolta, a iniciativa do governo não foi adiante. Pelo que eu testemunhei em Aboim, a situação permanece a mesma: os camponeses desconfiados quando se fala de localizar terras e os órgãos públicos inertes no que diz respeito ao cadastro rural. Quantos emigrantes como eu estarão privados de, ao menos, visitar as terras de seus pais?” |
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