| Dia da Mãe - Conto das Sete Saias |
|
|
| 01-Mai-2008 | |
|
O Dia da Mãe celebra-se no próximo Domingo. Neste âmbito, a escritora brasileira Socorro Acioli, que está a escrever um romance assente na cultura e tradição dos lenços de namorados da zona de Aboim da Nóbrega, disponibilizou-nos um conto, que elaborou a pedido do ateliê de bolsas artesanais La Reina Madre, para inspirar um modelo de bolsa alusivo ao Dia da Mãe. O conto, denominado Sete Saias, foi inspirado pelas bonecas da Nazaré. Abaixo apresentamos dois exemplares de bonecas da Nazaré e o Conto das Sete Saias. Conto das Sete Saias Minha infância estava ali, nos olhos antigos daquela boneca. Na cola seca e amarelada sob os pés de plástico. Minhas mãos tocavam de novo a roupa costurada ponto a ponto pelas mulheres do outro lado do mar. Dentro daquele olhar voltei aos sonhos dos meus nove anos. Lembrei de minha mãe chegando da viagem, segurando a saudade embrulhada em um papel vermelho. Meu presente: a boneca das sete saias. Na pequena base onde naquele tempo seus pés ainda estavam colados havia uma plaquinha escrito a palavra Nazaré. - É o nome dela? Não. Era o nome de onde ela vinha. Nazaré, uma cidade litorânea de Portugal. Minha mãe pegou o mapa e traçou uma linha. Do mar daqui ao mar de lá. As mulheres faziam as suas saias, uma por uma, costurando todas as esperanças. Sentavam com elas na praia e esperavam pelos maridos pescadores, há dias em alto mar. Eram sete saias para dar sorte. Porque são sete as notas musicais e as cores do arco-íris. A música e as cores são o testemunho da perfeição, disse minha mãe, com voz de sinfonia e olhos de outono. Quando reencontrei minha infância, repeti com as pontas dos dedos o que fizemos naquele dia. Primeiro a saia de algodão e renda, branco como a espuma. Duas saias em xadrez, de barra ondulada. As ondas... Quatro saias de flores miúdas, coloridas, arrematadas com crochet, as cores perfeitas dos jardins. E por cima, o avental de cetim, bordado por elas, pelas mãos pacientes que esperam a sétima onda para trazer de volta o seu amor. Se eu ainda fosse tão pequena, mãe, se eu ainda soubesse acreditar tanto, vestiria as sete saias da boneca e sentaria na praia, para te esperar voltar. Porque hoje eu sei o que é a saudade das mulheres nazarenas. Hoje eu sei o que é amar quem foi para o lado de lá do mar. |
| < Artigo anterior | Artigo seguinte > |
|---|


